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Sou extremamente insuportável.
Quando vejo tristeza por perto, quero salvar o mundo dela.
Sem lembrar que muitas vezes ela é necessária.
Interrompo, indago, proponho.
Me torno um interventor de obras prontas. Um poeta de versos inúteis.
Fico rodeando; olhando de cima, procurando as respostas que não dizem a meu respeito. Me inquieto, opino;
um autêntico psicólogo made in feira do rolo.
É muito, muitíssimo óbvio que quem está triste e pensativo, precisa mesmo é de se isolar um pouco do mundo. Ficar na sua. Estar em silêncio [ou não]. Ter a oportunidade de entrar em comunhão consigo mesmo.
Nestas horas, é bom se afastar.
Por mais que se esteja cheio de boas intenções, não é saudável interferir no silêncio do outro; e por hora é necessário aniquilar os sentimentos egoístas.
Impossível ser uma pessoa necessária; a toda hora, estando tão perto.
Quem não está legal nunca vai se recuperar com a pressão de quem quer saber demais. Tende a gerar mais conflito, mais afastamento.
Afinal ninguém precisa dar satisfação de tudo, a quem quer que seja.
Quem está triste acaba mais entristecido ainda com o interrogatório, com a descrição do seu estado de espírito no espelho dos ouvidos.
Portanto: não sabe o que dizer, não diga. Melhor que dizer qualquer coisa.
Não sabe o que fazer, não faça. Melhor que fazer qualquer coisa, indiscriminadamente.
E muito menos pergunte o que fazer, ou dizer.
Dar espaço na cena; na sala, no quarto, ou aonde você estiver; numa hora em que você não é o protagonista, é o melhor sinal de humildade e compreensão.
O amor não pergunta muito.
E com o seu silêncio, ele sim; ajuda a encontrar inúmeras respostas.

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