quinta-feira, 24 de outubro de 2013

MANUAL

Arte de Claudinei Bettiol


Hoje em dia, todos são especialistas em tudo.

Se criam manuais de vinte coisas praquilo,
trinta coisas para se conquistar uma pessoa, mais 300 coisas que não deveríamos fazer...

Mas de fato, ninguém tenta seguir o seu próprio instinto.
Ninguém se pergunta diretamente como conseguir isto ou aquilo.
Ninguém monta no próprio cavalo e procura buscar dentro de si as respostas.


Ninguém pára por um tempo das correrias cotidianas, pra se pensar como vai indo,
e se como está, está tudo bem.

Nossa educação de base nos ensina a não confiarmos em nosso taco; a não acreditarmos em nossa individualidade. A olharmos sempre de queixo baixo para os conflitos internos ou externos que nos atormentam.

Falta mais filosofia, - no sentido epistemológico da palavra - nas nossas vidas.
Amor à sabedoria.

Somos criados homens e mulheres que não refletem suas próprias atitudes,
 e logo depois de adultos, pessoas atormentadas pelo motivo de que de repente se deparam com a sua própria essência em diversificados aspectos da vida.

A gente sabe que seguir a nossa própria convicção dá trabalho.
Pensar uma forma de trabalho, um jeito de ser, de se sentir bem; defender as coisas que só a sua própria natureza lhe presenteou.

E daí sempre s
urgem os antagonistas de nossa vida. Muita coisa e contexto vêm bater de frente com esse modo de ir, que escolhemos. Porém, ninguém nunca disse que fazer isto, é tarefa fácil.

Quem não cria para si estratégias de autodescoberta, quem não bola pra si dicas de como fazer qualquer coisa, quem não trabalha a partir de seus defeitos e medos uma autoconfiança baseada em si mesmo, sem muitas muletas externas, vive pegando muitas opiniões emprestadas dos outros.

Segue a boiada a esmo da competitividade capitalista e não tem uma vida própria.

Torna-se um simples boneco de manipulação dos maiores interesses. Que quando se depara com seus erros, suas qualidades, sua essência, vem a ser um ser inseguro, líquido, frágil e sem rumo.

Depende dos outros, direta e indiretamente pra se viver.

Portanto, não importa a idade:
Sempre é tempo de tirar as correntes, sair da própria jaula, buscar seu próprio mundo.

Sempre é tempo de queimar os manuais e jogá-los no lixo.