quinta-feira, 25 de julho de 2013

ARTISTA NÃO SABE COBRAR


Grafite de Denissena

Artista não sabe cobrar.

Não acredita que um pedaço de papel dite o valor daquela sensação ao preencher aquele compasso, ou pintar aquele quadro. Não acredita que a vida virou um grande negócio. 

Vive num mundo paralelo, lunático. Atrasado, diante do mundo.

Não acredita, muitas vezes que o que faz é um trabalho. Mas sofre, como estando estar em um.


Os lapsos de loucura maligna e doenças psicosomáticas que adquire com o estresse da profissão. As horas que ele fica sozinho sem a família. Ou que termina relacionamentos promissores por falta de tempo e dedicação. As histórias são muitas, de gente que desiste por que não conseguiu tocar seu o instrumento; a sua vida, comprar as suas tintas. 


Por que geralmente o que ofereciam não dava nem pra voltar pra sua cidade, isso quando era pago. Ou consertar o seu violão. Ou pagar as suas contas. Ajudar a família. Ou convidar a mulher para jantar fora de casa no meio do mês
.

Porquê tinham que tocar quatro horas seguidas num lugar que não davam a mínima para ele. Porquê passaram a vida inteira dançando a dança no que não tinha jeito. 
Ou mesmo por que quantia em dinheiro, virou sinônimo de respeito. 

Tenho, tive amigos que me renderam histórias. H
istórias que até hoje não acredito, mas que são verdade. Confesso, às vezes tenho muito, muito medo de ser uma delas algum dia. Desistiram da arte. Desistiram da vida. Desistiram de sequer querer alguma coisa com essas duas.

Mona, a minha Namorada, questionou-me sobre a minha forma de trabalhar.
Minha maneira de cobrar o meu valor, se é que me entendem; o justo valor por uma concepção criativa, por sentir por alguém; por dar uma vida inteira pelas coisas que faço, e não ser devidamente respeitado.


Me chateei. 

Fechei a cara e com o meu orgulho e vaidade deixei de ouvir o que ela sempre discordava em mim. Isolei-me da conversa em que estávamos. Pus desesperadamente um ponto final abrupto e deselegante no meio de um paragrafo incompleto seu.

Perdi mais uma vez uma boa oportunidade de melhorar na vida. Ser menos ignorante comigo mesmo.
Alguém, percebendo alguma coisa que me atrapalhava, querendo me fazer crescer. Construir junto, alguma solução para deixar de olhar somente pelo lado divino e ingênuo das coisas.


Por que sabia eu que ela estava certa. Não aprendi ainda a lidar com a verdade. A minha arte pode ser o que ela for. Mas que o artista, acima de tudo, deve ser responsável por ela. 

Deve acompanhá-la no seu mundo.

Deve aprender a se respeitar, para que possa ele ser respeitado.
Respeito se constrói. Respeito é cuidado. O importante é cuidar de si mesmo, para ensinar o que é ser respeitado.

Não pode ser que nem construir um castelo de cartas na praia num dia de tempestade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário