Acervo pessoal
Os meus olhos turvos
transformaram-se em água: desaguarão impuras
na secura da face
dançarão poças de mar e
peixes à minha tristeza de só.
Ficarão para o sorver das
éguas aladas e noturnas
para o encharcar da terra
e a morte das sementeiras
deixarão os vermes
bêbados; enferrujarão as foices que ceifam
e nutrirão os ossos
verdes das árvores mais tristes.
Fará lagoa e será de
espelho
para despir a roupa,
Depois escoará no
esquecimento
no ralo da dor ungida.
E no lugar dos olhos
invernais,
verão.
Duas covas mergulhadas na
terra.
duas cavernas profundas,
fundadas no rosto.
Como se já não houvessem mais
olhos,
só o olhar vazio, cheio de vão.
só o olhar vazio, cheio de vão.
Assim depois da dor virá
o mistério.

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