segunda-feira, 17 de junho de 2013

DEIXEM-NOS PASSAR



Foto de Gabriel Mussi.

"Deixem-nos passar, nos dêem passe livre."

Quando se diz “passe livre”, é passe livre para voltar pra casa quando der, no horário que quiser; sem medo de assaltos, estupros, espancamentos e de qualquer forma de violência.

Passe livre nas pistas, para andar de bicicleta sem temer ser estraçalhado pelos automóveis.

Passe livre contra a impunidade e a falta de transparência dos altos cargos públicos.
Passe livre contra a letargia do povo, contra a lavagem cerebral que alimenta a lombra dos jovens dessa e de nossa geração.  Passe livre, para jogar a televisão pela janela.

Passe livre para andar de mãos dadas seja com quem for e não ser agredido.
Passe livre para vestir o que bem entender, se sentir bonita e não ser assediada nas ruas.

Passe livre para protestar e acabar com esse silêncio velado que nos é imposto nessa ditadura do medo hediondo e do dinheiro, que HÁ TEMPOS assola a gente.

Foi-se o tempo em que sonho se comprava por R$ 0,20 centavos na padaria.

 “Os sonhos inflacionaram”, diz o governo.
Mais por esse valor, e a soma de todas as outras inflações, inflacionou também a nossa paciência.

Uma voz não tem preço, quando se está a dizer alguma coisa.
Não se vende aos partidos políticos, aos folhetos de imprensa ou mesmo às propagandas de automóveis, como fazem até os dias de hoje.

Não se vende ao conservadorismo, não se limita aos quatro cantos de um parvo campo de futebol de gente que corre e não se manifesta, pois é muito bem paga para permanecer calada no seu canto. 

Queremos ser livres disto tudo e de mais um monte de coisa.

Ser livre:

é saber de onde se é. Poder encontrar-se. Estar respeitado. Representado.
Ter a sensação de pertencimento a algum lugar.
Ser de algum modo, de algum mundo. 

Que nunca, nunca mais esvaziemos as ruas, tampouco as nossas cabeças.
Que possamos encher as ruas de vida e as cabeças de flores.

Pois são elas que pensam as mudanças.




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