Arte de Karla Gerard.
I
Não chores assim menina:
Bem toda a dor, que quando é rima do
[verdadeiro] amor
há de ser pequenina.
Não chore por falsidade.
Viver, ainda mais para a
gente; é uma arte.
E o que deve mesmo de lei
arder na vida
é a pimenta,
o amor,
e a cor do mertiolate!
II
Reza para os seus
e aquele de lá de cima
naquilo que a gente crê
e desatina
Se é gente ou bicho
serpente ou cobra
laranja ou
lima; ou mesmo gente morta.
III
Beija logo este rapaz!
Daqui a pouco ele se esvai
numa coluna de tempostais
e nunca mais, nunca mais
voltará atrás para ver o seu vestido
carmesim]
E que seja logo!
antes que venha
a mãe e o pai.
Por que se não, tu já sabes:
é dor duas vezes
é dor duas vezes
é ui
e é ai.
[Salvador, 26 de março de 1999.
Colégio; oitava série.
Sala de aula.]
Colégio; oitava série.
Sala de aula.]

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